Do seu canto vazio imaginava
A coragem daqueles que iam.
Andando, no medo, cairia.
Perdia-se aonde ficava, na solidão.
Adorava-a, odiava-a. Respeitava-a.
Para si, sabia que não haveria
Outra realidade ou vida sã. Ilusão.
O porquê dele ficar ali, vadiando,
Ora deitado, ora sentado,
Vagabundo dos lençóis desdobrados,
Ninguém se importava em entender.
Passou dia, outro dia. Mês e ano.
A família pelejava, ninguém o levantaria.
Veio sem avisar, no silêncio molhado,
O avô rodando em cadeira de guia.
Olhou fundo nos olhos do neto e
Deitou sua mão cansada no choroso braço.
“Uma hora isso passa, noite ou dia.
Enquanto isso, te faço companhia”.
Ps.: Estasiofobia é o medo profundo, irracional, mórbido e persistente em manter-se de pé. Apesar de parecer absurdo e inexistente, muitos idosos sofrem desta fobia.

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