23 de junho de 2010

Vazão hermética

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Desordenaremos tudo.


Desde pequenos, colocados em jarros,

Vidros assépticos, inodoros e imaculados

Sem fissuras possíveis, como em um tempo eterno e parado.

Sem um arranhão que me faça pensar,

Ou sem uma dúvida que me interpele

E me engrandeça.


Desordenemos tudo!


Pandora aberta,

O mundo inteiro me invadiu.

Será o caos problema ou solução?


Nada mais de papéis brancos e lisos.

À partir de hoje serei o rascunho

Que sempre se refaz.

Um complexo desenho em constante modificação.


Seremos os donos dos grafites;

Seremos o próprio muro.


Potes rachados, trincados;

Tijolos raspados, lixados,

Mas jamais quebrados por completo.


Só dentro da redoma pitoresca de uma vida cheia de oportunidades

Ou da trama apresentada crua em tintas frescas ao céu aberto

Poderemos ter as vaidades que quisermos.

Poderemos enxergar sem os pecados inutilmente herdados.


Desordenamos tudo.


Abolimos as borrachas,

Pois todo e qualquer traço marcado

Contribui e enobrece

A grande arte final.


Reordenemos tudo.


Não existem cores absurdas e nem riscos malfeitos.

Todos eles fazem parte da fabulosa pintura da vida.


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