Desordenaremos tudo.
Desde pequenos, colocados em jarros,
Vidros assépticos, inodoros e imaculados
Sem fissuras possíveis, como em um tempo eterno e parado.
Sem um arranhão que me faça pensar,
Ou sem uma dúvida que me interpele
E me engrandeça.
Desordenemos tudo!
Pandora aberta,
O mundo inteiro me invadiu.
Será o caos problema ou solução?
Nada mais de papéis brancos e lisos.
À partir de hoje serei o rascunho
Que sempre se refaz.
Um complexo desenho em constante modificação.
Seremos os donos dos grafites;
Seremos o próprio muro.
Potes rachados, trincados;
Tijolos raspados, lixados,
Mas jamais quebrados por completo.
Só dentro da redoma pitoresca de uma vida cheia de oportunidades
Ou da trama apresentada crua em tintas frescas ao céu aberto
Poderemos ter as vaidades que quisermos.
Poderemos enxergar sem os pecados inutilmente herdados.
Desordenamos tudo.
Abolimos as borrachas,
Pois todo e qualquer traço marcado
Contribui e enobrece
A grande arte final.
Reordenemos tudo.
Não existem cores absurdas e nem riscos malfeitos.
Todos eles fazem parte da fabulosa pintura da vida.
