15 de agosto de 2011

Papel carbono

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Ainda cabe lembrar,
Antes que essa chuva acabe
E com ela as gotas
E o frescor da água,
Da fresca lembrança que me volta
A abraçar.

De tudo no tempo que planejamos;
E quanto mais planejamos, mais tempo temos;
Quanto menos seguimos os planos,
Mais o futuro é nosso longo amoroso templo.

O doce sonho das imagens imaginadas;
Da maravilha que se estende pelos contos,
Dos nomes que desenhamos,
Dos passos que já rabiscamos,
Dos locais que conheceremos;

Nos traz do futuro o presente prazer de criar.

Antes que esse raio de sol esmoeça e vá se deitar,
Antes que o luar se espreguice para o novo dia começar,
Teremos mais um lápis e papéis, e fogueiras
Para aquecer os vinhos e animar as vinhas dos nossos caminhos.

Sem certa direção,
Ambos,
Mas com um destino certo:
Bradar o hino do único coração.

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16 de junho de 2011

O preciso amor


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Inicio essa caminhada dentro de mim, do cume da minha alma, em meu frondoso coração.

Sei que o amor começa em mim, em ti, nos dois, embola em nós,

Ergue em luz e dorme em harmonia esta paixão.

Envolve o corpo, faz dançar o espírito e embalar a voz.

Fadado a se libertar, o amor se permite, se recolhe, medita e renasce em perene emoção.

Não julga o outro, nem o um, nem ninguém.

Enaltece o que há de mais simples e belo, sincero, verdadeiro, eterno, e vai além

Transcende

O corpo

Perpetua

A alma.


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19 de janeiro de 2011

O tortuoso caminho da felicidade


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Há um ano eu escolhi um caminho tortuoso. Era um caminho dito escuro, complexo, que trazia medo, insegurança, distância. “Trará a falta de conforto, dores, falta de sono, saudade...”. E foi tudo isso, tudo isso mesmo, exatamente como disseram. Só esqueceram de me dizer que era também um caminho sincero, perfumado e bonito. Que aquele caminho era escuro, mas logo se tornou claro e novamente escuro, para ser novamente claro e brilhante; como o dia que nasce e renasce, trazendo sempre novas conquistas e novos desafios. Era tortuoso, pois era preciso guardar a surpresa da próxima curva, e não entregar a jornada em uma reta árdua e monótona.

Há um ano me mudei para dentro de um sonho. O sonho era enorme; quase tão grande quanto o mundo. Na verdade, o sonho era do tamanho do mundo; exatamente do tamanho do mundo. Um sonho repleto de euforia, mudanças, vapores quentes e frios, pinturas vibrantes e, sobretudo, cheio de amor e inquietação. Me mudar para dentro dele foi difícil; pois era necessário deixar muito para trás; era necessário desapegar de quase tudo para reiniciar em um lugar branco, cru, puro - como uma grande folha de papel que espera ser rabiscada, desenhada, enfeitada por uma caixa de lápis de cor chamada CORAGEM.

Eu não teria o direito, não poderia ser egoísta e pensar apenas na minha felicidade. Não, eu não poderia pensar só em mim, ou só em quem eu amava. Para ser feliz – plenamente feliz – era necessário distribuir a felicidade; era necessário viver o sonho, o enorme sonho de mudar o mundo. E cá estou, há 1 ano.

Não se importa com os calos quem sente a real transformação da caminhada.

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