1 de janeiro de 2010

Esquete romântica de Eros


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Ato 1

O dia que percebi o amor, fiquei ali estático. Na minha frente, um prato quase cheio – enquanto minha fome já havia se perdido entre os meus pensamentos. Meio copo de champagne, que perdia as bolhas para um ar sóbrio demais para me entender. Pois a paixão rouba tudo: sonhos, pensamentos, fome, minutos, copos. Aliás, onde foi parar o meu copo de whiskey que perdi minutos depois, mas ainda dentro daquele momento, sem nunca mais encontrar? O amor te conquista como montanha difícil de ser escalada, e que deixa saudade quando dominada. E também rouba o sono, te acorda no meio da madrugada; ou ainda te importuna sem barreiras durante uma prova de inglês – como turbilhão intrépido, ferrenho, inebriante. Este sentimento é muito maior que os segundos que você levará para tentar afogá-lo, e disso logo você perceberá. Contra o Amor nada se pode. Contra o Amor, esse desatador de membros, criatura contra a qual nada pode ser feito, doce-amargo que tarda a se aquetar... Contra o Amor nada pode ser feito.

Ato 2

Consuma e inebrie-se na maior e mais poderosa droga do mundo. A Eros todas as taças dos amantes levantam-se em torpor ritmado. Ao minuto virgem da cadente mão, do palpitante coração, do lábio que treme sem explicação e dos olhos que brilham de paixão, brindaremos pelo sentimento que eles exprimem sem palavra dizer.

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