Tomou o café preto, pegou
Corrido o pão dormido e
Logo quedou a andar. Tanto
Andava como sempre fazia,
Apertava o passo. Corria.
Olhava sem muitas esperanças,
Ora aqui, outra vez por ali.
Mais uma vez a sorrir, quando
O que mais queria era bocejar.
Sem direito nenhum para abordar.
Apelava para os versos feitos,
Calejados e sem efeito. Como
Eram seus versos e pés, perdidos.
Curtos e evasivos. Sumidos.
Caía garoa quando ainda andava.
Não pararia agora. Precisava.
Mudava a rua e tropeçava na tardia
Hora solitária que se aproximava.
Foi encontrar no fim da noite.
Lua cheia de esperança. Tanta era
A esperança que o olho brilhava.
Engoliu a seco, sentiu o gelo
No umbigo consumi-lo. Palpitava.
Jogou ao vento em movimento;
Abriu o peito e recitou,
Pesando a dúvida como quem
Implora por um favor:
"Vai graxa, doutor?".

Um comentário:
lindo, e surpreendente, amei.
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